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02/01/2019 - Opiniões

Chega de promessas!

Por: Carla Queiroz

Mais um ano se passou e aquela esperança que esse ano seria diferente acabou se tornando novamente nessa sensação de fracasso.

O que eu preciso fazer para colocar em prática tudo aquilo que aprendo nos tantos cursos que faço em busca do autoconhecimento?

Também não é assim, até que eu aprendi muito esse ano. Mas a verdade é que eu aprendo, mas na hora H eu não utilizo tudo aquilo que aprendi. As vezes me pergunto por que?

Essa semana vi um vídeo bem legal no WhatsApp, mostrava o lado infantil das pessoas e como esse lado se diverte, brinca e ri. Aquilo me fez pensar. Procurei dentro de mim essa minha criança.

No inicio eu não estava encontrando. Ficava lembrando de situações onde ela poderia se manifestar, como naquelas férias que fomos para praia todos juntos e demos muitas risadas. Depois lembrei daquele Natal em família que começou tão bem e acabou na maior confusão. Fui buscando na memória lembranças que pudessem me remeter a esse meu lado infantil e não encontrei nada.

Será que todos tem um lado infantil e o meu cresceu junto comigo? Será que quem está aqui escrevendo tudo isso é a minha criança sofrida e responsável por resolver todos esses problemas que me atormentam e me impedem de ser feliz?

Nossa! Essa ideia me incomodou. Uma criança tendo que resolver tudo? Como pode? Será que é por isso que não consigo sentir prazer nas coisas simples do dia a dia?

Sinto essa sensação de que falta algo e nada é o suficiente para me fazer feliz!

Então onde está o meu adulto? Em baixo da mesa é que não está né? Será então que meu adulto está dentro da minha criança sofrida? Vichi! Deve ser por isso que sinto essa claustrofobia, como se o mundo fosse pequeno demais para mim. Por outro lado, viver apertadinho dentro da minha criança de certa forma me faz sentir seguro.

Preciso fazer algo. Pensando bem é uma sacanagem deixar a minha criança me carregar e ainda ter que resolver tudo sozinha. Isso explica por que eu nunca consigo ficar muito tempo num relacionamento! Quando a coisa vai ficando mais séria, eu sinto um desespero e saio correndo! Também né? Criança não transa, não beija na boca e acha que o outro tem que dar tudo para ela e se não der ela emburra!

Pior que é isso mesmo que acontece comigo. Chega! Não vou mais pensar nisso!

Quanto mais eu penso, pior fica.

Tentei dormir, mas nem isso eu consigo. Já sei. Vou dar uma olhada naquela caixa de fotos antigas que guardei lá em cima do armário. Quem sabe olhando as fotos consigo encontrar minha criança perdida ou meu adulto escondido!

Cada foto me faz sentir uma dor diferente!  Saudade de um tempo que já passou e não volta mais. Raiva de ver que eu sou a que menos aparece nas fotos. Tristeza quando percebo aquele meu olhar caído e vazio nas fotos. Alegria numa foto em que estava nos ombros do meu Pai. Nossa! Comecei a procurar fotos minhas com a minha Mãe e senti uma sensação de Abandono quando percebi que não haviam fotos nossas.

Já está quase amanhecendo e eu aqui enxugando as lágrimas que não param de cair.

O que foi mesmo que eu vim procurar aqui nessa caixa de fotos? Ah! Lembrei, a minha criança. Acho que acabei de encontrá-la num canto da vida, chorando e buscando no passado aquilo que faltou.

Venha cá pequena. Não sei se eu te encontrei ou se você me encontrou, mas prometo que agora vou cuidar bem de você e vou te dar tudo aquilo que faltou lá atrás.

Juntos vamos para vida sabendo que eu Adulto assumo minha vida e minhas responsabilidades e você Criança apenas relaxa e curte a vida! Tantas coisas boas nós ainda temos para viver e curtir.

Lembro do Vídeo do WhatsApp e paro diante do espelho. Já não preciso procurar minha criança. Ela está lá e sorrindo para mim! Seguro firme na sua mão e começo a sorrir e a dançar.

Esse ano tudo vai ser DIFERENTE!