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06/08/2020 - Consciência Sistêmica

Conheça os 4 níveis de competência de um constelador

Por: Dr Fernando de Freitas


Que nível de constelador você é? Que nível de constelador você gostaria de ser? Que nível de constelador o seu cliente gostaria que você fosse? Que tipo de constelador você gostaria que te atendesse? E o que fazer para se tornar um constelador extremamente competente?

O que eu tenho visto, em relação aos profissionais que trabalham com essa técnica sistêmica, está me deixando cada vez mais  incomodado por perceber que a várias pessoas estão acreditando que sabem fazer constelação, mas, na realidade, abrem o campo e observam maravilhados os fenômenos que ocorrem durante a execução desse trabalho.

Não conseguem identificar o problema do cliente, suas causas, a origem sistêmica nos emaranhamentos familiares e, consequentemente, nem imaginam o que fazer para solucionar o problema sistêmico que o cliente traz.

Isso para mim é como alguém ir em algum Laboratório de Imagens e fazer uma ultrassonografia, uma tomografia ou uma ressonância magnética e ficar admirado com as imagens que esses exames oferecem. O problema é que não sabem interpretá-los e nem utilizá-los para ajudar o cliente, no diagnóstico e no tratamento.

Às vezes, acreditam que basta que a alma do cliente saiba que há algum problema e isso será o suficiente para que se cure. Será que isso é verdade? Basta ver conflitos dentro do Campo sistêmico que será o suficiente para encontrar a solução?  Se isso for verdade, ser um constelador é a coisa mais simples do mundo, e não necessita estudar, nem se aperfeiçoar, mais ainda, não ter qualquer nível de responsabilidade sobre o trabalho.

Eu tenho recebido uma grande quantidade de pessoas que passaram por esses profissionais e por essa forma de trabalho, e não é bem isso que acontece. A grande maioria fica completamente perdido, sem noção do que aconteceu na constelação. Outros tiveram algumas mudanças, mas na realidade, apenas trocaram de mecanismos de defesa diante do trauma que foi revelado, isso não é tratamento. Muitas vezes foi o próprio constelador que passou os seus mecanismos de defesa para o cliente. Se o próprio constelador é cego para os seus problemas, como é que esse profissional pode ajudar um outro ser humano, que está na mesma situação?

Essa ferramenta de trabalho é excepcional, mas a sua efetividade é decorrente de um bom profissional, que saiba o que fazer com a técnica. A constelação sozinha não funciona. Mas é impressionante como as pessoas gostam de se iludir. Não só os falsos consteladores, mas também os clientes que querem acreditar em uma mágica, capaz de desaparecer todos os seus problemas, sem entrar em contato com a dor do trauma. Eu também gostaria que isso acontecesse, seria muito bom apenas selecionar o problema e apertar a tecla delete, isso pode funcionar no computador, mas não no ser humano.

Você conhece os 4 níveis de terapeuta sistêmico de um profissional? E você sabe o que determina o sucesso no mercado de trabalho? Eu vou passar para você, os quatro níveis de competência que um profissional pode ter, nesse caso específico eu vou falar na área da constelação sistêmica, mas essa classificação serve para qualquer tipo de profissional.

O primeiro nível é o da criança:

Ela não sabe que não sabe, a relação com a profissão que possui tem uma grande ingenuidade e parece apenas uma brincadeira, e o pior, é que esse terapeuta nem tem noção que não sabe trabalhar com a técnica, é como uma criança que ganhou um brinquedo novo. 

O segundo nível é o do estudante:

Aqui já começa a entrar em contato com a realidade da profissão, com isso ele sabe que não sabe, por isso ele tem que estudar muito, para ficar para conseguir chegar em um nível profissional.

O terceiro nível é o profissional:

Aqui já aprendeu os conceitos fundamentais e sabe praticar da melhor forma possível, tem noção dos seus limites e dos limites da técnica. 

O quarto nível é o do mestre:

Nesta fase o(a)profissional não sabe que sabe, já aprendeu tanto que o seu conhecimento e a sua prática vão além da mente racional, está em contato profundo com a essência do trabalho e vai além do seu nível de consciência, consegue fazer muito mais e não tem noção na sua mente e como conseguiu fazer.

No trabalho de constelador é muito fácil saber em que nível cada um está, para mim o maior perigo é o primeiro nível, a partir do segundo nível, o profissional seguirá sua escalada natural, para ser um constelador cada vez melhor. 

E não existe outra forma de evolução, se não passar por todos esses passos. As vezes alguma criança quer uma fada madrinha, apareça e realize o seu desejo de se tornar um grande mestre com apenas o balançar da varinha mágica. É claro que isso é apenas mais um aspecto infantil. A partir do momento que você se torna um adulto, você sabe que precisa ter objetivos claros, determinação e fazer o que é necessário.

Como é que se pode encontrar uma solução, se não conseguimos identificar o verdadeiro problema? Como é que o cliente pode elaborar um caminho para o mundo saudável, se ele nem tem noção das leis sistêmicas? Como é que é o profissional de constelação pode fazer diagnóstico, nas dinâmicas doentes e dos emaranhamentos, se não tem o conhecimento do que é saudável dentro de um sistema e das funções em ordem? 

E aí? Em que nível de competência você está? Você já passou da fase da criança? Eu te dou as boas-vindas para a jornada maravilhosa e se tornar constelador de ponta e capaz de ajudar realmente os seus clientes.  



Bem-vindos à realidade.