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17/05/2019 - Consciência Sistêmica

Constelação Familiar e o Espiritismo

Por: Carla Queiroz


Constelação familiar é um instrumento usado como ferramenta terapêutica para psicoterapia e autoconhecimento.

A Sistêmica é uma filosofia de vida, onde você muda a forma de olhar para vida e a forma de conviver com as pessoas que estão ao seu lado. A constelação familiar tem efeitos terapêuticos profundos para o indivíduo constelado e para todo seu sistema. Não é uma religião. Ela inclui os excluídos, trabalha com Amor adulto, olha profundamente para a dor da pessoa e encontra a Raiz dessa dor, que geralmente vem do passado e as vezes até de outras gerações.

Essa ferramenta quando bem utilizada pode ajudar a solucionar problemas importantes que influenciam não só a vida da pessoa que está sofrendo, mas também de toda a família dessas pessoas.

Definitivamente a constelação familiar não tem nenhuma ligação com o espiritismo. O espiritismo é uma religião codificada por Alan Cardec, que acreditava que éramos espíritos encarnados e que existiam espíritos desencarnados que não estão aqui. Trabalham com pessoas que tem mediunidade ou uma sensibilidade aumentada e se entregam para serem usadas pelos que já morreram, como um instrumento de comunicação entre a vida e a morte. Os estudos que explicam essa mediunidade é um assunto à parte e não são utilizados nas Constelações Sistêmicas.

O que se utiliza nas constelações são os Campos Mórficos, descrito por Rupert Sheldrec. Esse Campo Morfogenético influencia as espécies e por ressonância elas obedecem ao que o campo determina. Por exemplo: Como as aves sabem que numa determinada época do ano elas precisam migar para outra região? Como as Aves conseguem se organizarem e voarem em V, sabendo exatamente a hora de virar para um lado ou para o outro em perfeita formação?  Como as tartarugas ou as baleias sabem para onde ir depois que nascem? Tudo isso acontece por que existe esse Campo que influenciam a percepção dos representantes, que uma vez no campo começam a sentir algumas coisas e com a ajuda do Constelador, essas sensações vão ajudando na condução da constelação. O que importa não é exatamente o que o representante interpreta do que ele sente, mas de fato o que ele sente, se está melhor ou pior, se da vontade de ficar ou de sair, se sente peso ou dor em alguma parte do corpo, etc.

A Constelação Sistêmica Familiar, foi desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger, há 40 anos, que viveu como missionário junto aos Zulus, uma comunidade na África, observando a forma como esses indivíduos conviviam, ele percebeu o equilíbrio existente nessa comunidade, onde todos respeitavam as Leis Sistêmicas e resultado disso era um grande equilíbrio emocional nas pessoas que viviam naquela tribo. Dessa forma, juntando com outras linhas terapêuticas como Esculturas familiares de Virgínia Satir, Psicodrama de Moreno, Hipnose e outros fundamentos, pelo Bert Hellinger compilando tudo, criou as Constelações Sistêmicas Familiares.

Assim, depois de voltar para a Europa, começou a observar também como as pessoas vivem no nosso sistema e carregam inúmeros problemas decorrentes do fato de saírem das Leis Sistêmicas e começarem a criar novas Leis das famílias. Os emaranhamentos familiares foram observados como recorrentes numa família, como se fosse genético mesmo.

Alguns fenômenos que ocorrem na constelação sistêmica não se explicam de forma científica, mas hoje com o estudo da Epigenética já é possível comprovar a influência das histórias dos nossos antepassados no nosso DNA.  São as chamadas metilações, influenciadas pelo ambiente que suprime ou não a expressão do gen.

Na Constelação Familiar utilizamos a espiritualidade das pessoas sem trabalhar com espiritismo. A espiritualidade da pessoa vem da sua capacidade de se entregar para sentir, como representante o que aquele indivíduo que ele representa sente. A energia que move as constelações é a energia do Amor e o trabalho todo é feito para colocar Ordem no Sistema.

Na história das pessoas, acontecimentos como tragédias, alcoolismo, abortos recorrentes, assassinatos, ficam atuando no sistema. Isso fica no campo sutil e vão reaparecendo nas novas gerações que acabam sendo afetadas pelas histórias do passado e de várias gerações.

Quando olhamos para tudo isso e compreendemos de onde vem nossos traumas, dores e doenças (emocionais e físicas) conseguimos seguir, levando o Amor Saudável da família para frente e para as próximas gerações e deixando no passado o amor doentio da família.