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06/05/2019 - Consciência Sistêmica

Treinar o Cérebro para Curar ou Treinar o Cérebro para prevenir?

Por: Carla Queiroz

Estava lendo um trabalho brasileiro publicado na Neuroimage, que fala sobre Neurofeedback, e a capacidade do cérebro ser treinado para curar as doenças.

Fiquei imaginando como seria então se treinássemos o cérebro de nossos filhos desde o nascimento, para controlar suas emoções e funcionar de forma saudável, antes que o corpo e a mente adoeçam.

Falamos muito sobre medicina preventiva e até hoje eu só encontrei esse tipo de prevenção em temas específicos como vacinação, campanhas anti tabagismo ou mesmo prevenção de Câncer de Colo Uterino ou de Mama e outros.

Nunca ouvi dizer que as pessoas, em especial as gestantes e seus respectivos maridos, fossem orientados quanto à capacidade cerebral que o bebê tem assim que nasce e até antes de nascer. Se esses futuros pais fossem devidamente orientados quanto à maneira mais adequada de colaborar para o desenvolvimento do cérebro do bebê, eles poderiam de fato mudar a trajetória dessa geração e diminuir a grande incidência de depressivos, ansiosos, suicidas, doenças físicas e mentais.

O que vejo, no entanto, são pais preocupados em garantir para seus filhos bens materiais, boas escolas e possibilidade de cursarem uma faculdade. No dia a dia, toda a ausência dos pais se justifica pelo fato de estarem trabalhando para isso. Os filhos necessitam da presença dos pais de forma efetiva, estimulando seus cérebros desde o primeiro dia de vida. Para isso a mãe tem a licença gestante, pois ninguém melhor do que ela para treinar o cérebro desse bebê.

Como obstetra há 30 anos, sempre me dediquei a orientar esses jovens pais a investir sem limites no desenvolvimento intelectual e emocional desses bebês. Assim como iniciar o processo de formação e educação deles no momento em que nascem.

Incentivo os pais a ensinarem física, química e matemática desde o primeiro dia de vida. Como? Eles sempre me perguntam. Simples, ao invés de ficar fazendo gracinhas sem fundamento, falem sobre as leis da natureza, brinquem com a matemática no dia a dia ao contar quantas pessoas chegaram e quantas foram embora. Isso ajuda a desenvolver o raciocínio matemático da criança. Digam ao bebê, como ele foi desejado e amado na gestação, o quanto vocês respeitam esse ser que nasceu. Não é preciso esperar que ele cresça para dizer se aprendeu ou não um conceito. Acredite que tudo que for ensinado ao bebê, será assimilado. Eles são como computadores de última geração aguardando um programa. E se o programa colocado neles se limitar a coisas do cotidiano ou a ficar na frente de uma tela de tablet para distraí-los enquanto os pais fazem outras atividades, eles crescerão limitados a isso.

Já em relação à capacidade emocional desse bebê, cabe aos pais valorizarem a existência desse ser, dar comandos de autoestima, explicar como a vida funciona e como devemos lidar com alegrias e frustrações. Ensinar a colocar limites e a aceitar as regras. Respeitar as características individuais de cada filho e incentivá-los a crescer independentes.

É muito comum ouvir os pais dizerem que o bebê é bonzinho ou que é coitadinho por alguma razão. Melhor seria dizer que ele é tranquilo, corajoso, tem personalidade quando deseja algo. Quando valorizamos o ser “bonzinho” programamos esse bebê para reprimir seus sentimentos a fim de não dar trabalho para seus pais.

Você sabia que o bebê não sabe falar e que a sua única forma de comunicação é através do choro?  Alguns pais se incomodam e querem que ele se cale. Outros fazem tudo o que o bebê quer e, assim, ensinam os filhos que é só chorar que vão ganhar tudo que quiserem.

Querer que o bebê pare de falar é o mesmo que dizer “cala a boca”, você me incomoda chorando.  Os pais devem conversar com o bebê, enquanto ele chora ir dizendo que não entende o que ele quer, mas que vai tentar compreender seu diálogo.

Vamos imaginar uma cena: O bebê acorda e chora. Os pais entram no quarto e dizem: Bom dia! Você acordou? Que bom! Vamos ver se está molhado ou com calor, vamos ver se está com fome? O que vamos fazer essa tarde? Tem tanta coisa para te mostrar e te ensinar!

Então se o cérebro pode ser treinado para curar doenças, ele pode ser treinado para algo ainda melhor: manter a saúde e prevenir doenças. Como a maioria das doenças são somatizações do emocional, de traumas infantis não resolvidos, cabe aos pais investirem no cérebro e no desenvolvimento do bebê para que no futuro não seja preciso desenvolver uma doença.